Blog da Tina Lopes


Uma semana, duas imagens

1 - Os Índios (sexta, dia 30)

 

Que células-tronco, que nada. O que me impressionou foi estar na pele destes índios. Imagine que você vive em sua aldeia, cuidando dos curumins e plantando sua mandioca, e duas vezes por ano um grande pássaro branco, roncador, ameaçador, passa sobre a tribo fazendo uma grande sombra. Como você se sentiria com essa ameaça semestral? Quais os novos rituais que seriam feitos para espantar o tal monstro, ou para atrair o novo deus, caso coincidentemente coisas boas aconteçam depois de seus rápidos sobrevôos? Adorei o indigenista que respondeu ao repórter da Folha sobre a tribo (quem são, o que fazem): "não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe". Deixa eles lá.

Para rever A Vila e Brincando nos Campos do Senhor.

 

 

 

(A Nina ficou muito impressionada com a foto. Eu mostrei que os papais estão atirando flechas no avião, enquanto as mamães cuidam dos filhinhos dentro das ocas.)

 

 

2 - O Horror, o horror

“Imagem-ícone da Intifada é falsa, diz tribunal” 

 

 

“Um tribunal de recursos parisiense inocentou um francês acusado de difamação por ter qualificado como "falsa" e "encenada" uma das imagens mais emblemáticas da Segunda Intifada, a revolta palestina de 2000 que selou os rumos da atual situação na região. Na prática, isso significa que a corte validou a acusação de manipulação feita por Philippe Karsenty, presidente de uma ONG de vigilância midiática pró-Israel, contra a TV estatal France 2.

Há oito anos, o mundo inteiro viu a imagem de um pai, agachado junto a um muro, tentando proteger o filho de 12 anos com o próprio corpo, em meio a um intenso tiroteio numa rua de Gaza. O pai grita e gesticula, num aparente apelo por clemência. Segundos depois, uma nuvem de fumaça cobre a imagem. O pai aparece em seguida debruçado sobre o filho, aparentemente morto. Filmada por um cinegrafista palestino da France 2 em 30 de setembro de 2000, a gravação foi repassada a centenas de outras emissoras. As únicas informações sobre o episódio, incluindo o relato sobre a suposta autoria israelense dos disparos, foram fornecidas pelo próprio cinegrafista. (...)

Em 2004, Karsenty avaliou em seu site que a reportagem da TV France 2 era uma farsa montada para servir à propaganda palestina. Karsenty apontou "incoerências" na filmagem, como a falta de sangue, e lembrou que a emissora se recusava a divulgar a íntegra da gravação original mostrando a suposta agonia do menino -imagens nunca exibidas.”

 

Eu torço muito pra que sejam mesmo falsas. Foi o momento mais traumático que acompanhei na TV. Claro, seguido de perto pelo 11 de Setembro, da espera pelo socorro ao submarino Kursk e dos pássaros piando no amanhecer em Bagdá, antes do bombardeio americano. Mas o que é pior? O fato de as mortes terem acontecido, como vimos na TV e nas fotos, ou de serem imagens falsas magnificamente produzidas e divulgadas como realidade em nome de uma causa?

Para rever: Mera Coincidência.

 

 

 

Fontes/fotos: Folha de S.Paulo.

 



Escrito por Tina Lopes às 11h01
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Irresistível

Hoje foi dia de aniversário na escolinha e eu queria saber se precisaria fazer uma sopa de reforço pra Nina ou só um lanche no começo da noite (é que eu tenho uma filha que não gosta muito de junk food, por incrível que pareça: nas festas, passa sede porque não toma Coca-Cola e não come bolo).

 

- O que você comeu no aniversário?

- Brigadeiro e salgadinho.

- Que tipo de salgadinho?

- Um que parece uma lágrima.

 

Coxinha.



Escrito por Tina Lopes às 19h45
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Sim, mais uma crítica mal-humorada e atrasada*

Esqueci de contar. Assisti na semana passada “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”. Botei no Google pra pegar uma fotinha** (esse blog anda muito sem-graça) e vejo que à época de seu lançamento houve crítico que o classificasse como obra-prima.

 

Ora, pelamor. Que bela porcariazinha. Alguém realmente queria que fosse indicado ao Oscar?

 

Como ando mal-humorada (e exagerando nos hífens) nem vou me perder em detalhes. Mas vamos ao principal. Então o menino é deixado pelos pais que estão fugindo da polícia repressora de subversivos na porta do prédio do avô, que acabou de morrer. O vizinho judeu ortodoxo (estamos em 1970, no Bom Retiro em São Paulo) cuida do guri, eles desenvolvem carinho um pelo outro, os pais não chegam para assistir a Copa conforme o prometido, o guri fica jogando futebol nos apartamentos do velho e do avô morto, faz amigos, é protegido por todo mundo do bairro, tenta ver mulher pelada na loja (sequência constrangedora e idéia desnecessária), todo mundo torce pelo Brasil, vibra, judeus, italianos, portugueses e até um negro! Ah, e em plenos anos 70 o menino queria ser negro, olha como somos brasileiros bons e legais e sem preconceitos e acolhedores blablabla.

 

Roteiro, gente. Diálogos. Menos off.

 

Quero esclarecer que minha implicância começou com o menino sendo deixado de malinha e cuia na frente do prédio do avô. Sozinho. Ah, mas os pais fugiam da polícia, do rapa, da ditadura etc. Mas nem que o diabo himself viesse atrás de mim eu deixaria a Nina sozinha assim. Se pararam pra telefonar pro véio, não custava esperar ele atender a porta, né?

 

Mas aí não ia ter filme. Então vamos lá, um furinho no roteiro, só as mães exageradas vão notar.

 

Daí um dia o velho judeu decide contar pro guri o que pode ter acontecido com seus pais que não voltam nunca, nem telefonam nem nada. Preparado pra cena? Ok, mas ela não acontece. Temos aqui o velho truque de música ao fundo e o idiota da platéia (ou do sofá) que SUPONHA se a conversa está sendo delicada, triste, emocionante, ou não.

 

SUPONHA-SE também de que forma o judeu velho conseguiu se livrar da cadeia e aparecer com a mãe do guri.

 

Esse é o meu problema com o cinema brasileiro. A gente tem que SUPOR o tempo todo. A música fala (e geralmente grita) o tempo todo pelos atores. Porque não existe diálogo e o roteiro é tratado como um guia para cenas “naturais” que acabam ficando vazias. Ora, o Mário Bortolloto já falou disso muito melhor do que eu no blog dele.

 

Ah, e chega. No filme os anos 70 são chatos porque têm a tal da ditadura, mas todo mundo é tão bonzinho! Pobrinho mas limpinho. Me lembra aquela estrangeira do Planeta dos Homens que dizia “brasileirro serrr tom bonzinho!!!”

 

Eu gosto de texto e tenho dito.

 

 

* Ou, "Ai, que filme fofo".

 

** Até as fotos são chatas.

 

*** E eu já disse tudo isso antes, quando comentei o "Meu nome não é Boni", um cara se magoou e me xingou enquanto eu estava de férias, quer dizer, nem rolou réplica nem polêmica. No blog que eu deletei.



Escrito por Tina Lopes às 23h54
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GE-NI-AL

Só podia ter saído daqui.

 

Fausto Silva apresenta Goethe

 

FS - E agora, exatamente às dezoito horas e trinta minutos, nós vamos trazer aquele que é um grande ícone da poesia mundial! Ééé, bicho, tá pensando o quê? Não é brincadeira o que esse cara faz, não. Ele é considerado por muitos o maior poeta da história da Alemanha! Diretamente da corte de Weimar para a sua telinha, vem aí o glorioso Johann Wolfgang von Goethe aqui no "Domingão"!

 

(Entra JWG, um pouco assustado com a gritaria do público.)

 

FS - Grande garoto! Essa ferinha aqui foi quem escreveu aquela história do cara que faz um pacto com o diabo -e o cara era meu xará, é brincadeira? O Brasil todo aplaude...

 

JWG, timidamente - O sprich mir nicht von jener bunten Menge/ Bei deren Anblick uns der Geist entflieht...

 

FS (interrompendo) - Esse é o super-Goethe! Monstro sagrado da teledramaturgia alemã! Grande figura humana, tanto no pessoal quanto no profissional!

 

JWG - Kennst du das Land wo die Zitronen blühn?

 

FS - Orra, se conheço, meu. Morei cinco anos em Bebedouro...

 

(O poeta faz "nein-nein" com o indicador, vira-se e aponta para Caçulinha, que começa a tocar o lied de Schubert. JWG, na sua melhor voz de Dietrich Fischer-Dieskau, manda ver:)

 

JWG - "Kennst du das Land, wo die Zitronen blühn/Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühn..."

 

FS - Ô loco! Concertos pra juventude, galera! Quem sabe faz ao vivo!

 



Escrito por Tina Lopes às 18h57
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Caipirice

Sempre que o marido não está em casa, o sogro telefona. Você não sabe a dificuldade que é falar com o Seu N., apresentado no blog anterior. Ele mora no meio do mato – mas no meio do mato mesmo – onde celular não pega e o orelhão mais próximo fica a alguns quilômetros, na Bodega do Vardão. Daí hoje ele telefonou pra saber notícias da família. Engraçado que nunca é o Seu N. pessoalmente quem faz a ligação, é sempre algum amigo ou, no caso de hoje, o enfermeiro da unidade de saúde onde ele estava sendo examinado (a perna que ele quebrou uns anos atrás continua dando trabalho).

 

(Eu) – Alô?

(Alguém) – (respiração pesada)

(Eu) – Alô?

(Alguém/assustado) – É uma muié.

 

(silêncio)

 

(Eu) – Seu N., é o senhor???

 

Finalmente, trinta longos segundos depois, começamos a conversar.



Escrito por Tina Lopes às 14h25
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Voltando

Tem como não amar a Fal?

 

 

 

* Estive fora. Adorei Maringá. Cidade-floresta. Parece Ribeirão Preto, mas com sombra. Até mudaria pra lá - no caso de um ataque de zumbis em todas as cidades com mais de 1 milhão de habitantes, claro.

 

 

 

** Se rezasse, eu pediria: Deus, oh, Deus, me livre de taxistas com opiniões. Mas isso - tanto deus quanto tais taxistas - não existe.



Escrito por Tina Lopes às 15h48
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Domingueira

 

Sábado, no carro, 12h30.

 

Ele: - Quer almoçar no vegetariano ou no Mannus (um por quilo perto de casa, meio caro)?

 

Eu: - Vamos no Mannus.

 

Nina, na cadeirinha do banco de trás: - Eu quero o vegetariano!!!!

 

Ele: - Mas Nina, no Mannus tem carne, no vegetariano não.

 

Nina: - No vegetariano não tem carne????!!!!

 

Eu: - No vegetariano tem verduras, que são vegetais, e tem de tudo, só não tem carne.

 

Nina: - E no Mannus tem carne? Carne de humanos?????

 

(tem alguém assistindo demais ao Senhor dos Anéis)



Escrito por Tina Lopes às 09h05
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Inevitável

O time é o Operário de Ponta Grossa.

Os torcedores entrevistados na rua dizem que o jogo vai ser dureza.

O apresentador diz que o time vai enfrentar uma parada dura.

 

E eu não consigo parar de rir.



Escrito por Tina Lopes às 12h59
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Ariel

Você já viu? Por Annie Leibovitz, pra Disney, com a musa Julianne Moore e Michael Phelps. Que lindo.

 



Escrito por Tina Lopes às 16h13
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Coisas

Ninotchka Fedorovna, a czarina, explicando a hierarquia da família.

- Mamãe manda em mim. Eu mando no papai. E o papai manda na Mimi.

 

***

 

Meu carro voltou da oficina. Lindeza. Zerinho, botocado. E o que eu faço com o medo que dá agora?

 

***

 

Mando um e-mail pros colegas pedindo que me passem dados em oito itens. Definidos em tópicos, parágrafos e numerados de 1 a 8, bem claro. No MSN, colega chama pra comentar o e-mail. Pergunta: então, o que você quer mesmo?

 

***

 

Imagine você abandonar o trabalho de uma hora pra outra. Passar 3 semanas sem aparecer. E daí mandar recado dizendo que estava precisando de um tempo pra cabeça, mas que a partir de segunda-feira vai voltar a trabalhar ininterruptamente. Acontece. E dizer que fulano é folgado é praticamente um pleonasmo.

 

***

 

Eu sou tão distraída, mas tão lesada, que quando roubaram minha bolsa DE DENTRO DO ESCRITÓRIO em que eu trabalhava, acharam que era minha imaginação. Que eu devo ter perdido a bolsa no caminho até o trabalho. Uma bolsa de uns 10 quilos.

 

***

 

Não sei se sou só eu. Mas percebi hoje no vegê que a minha comida é toda arrumadinha. As carnes (não no vegê, né), os bolinhos, pizzas, vou aparando os lados até que tudo fica quadradinho, daí pico os quadradinhos em outros menores ainda. As alfaces e outras saladas eu arrumo em partes iguais, paralelas, enfim, graficamente dispostas. Design de comida. Outra coisa. Nunca deixo sobra no prato.

 

***

 

Eu fico desequilibrada se não uso aliança numa mão e anel na outra. Como se tivesse saído de uma piscina, sabe: tão leve que perco o rumo.

 

 

***

 

Lição de casa do mês: ninguém dá a mínima pra nada a não ser seus próprios interesses. O resto é teatro. 

 

***

Continue a nadar, continue a nadar.                       



Escrito por Tina Lopes às 15h46
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Acaba, maio

Só a lua pra salvar o dia.



Escrito por Tina Lopes às 21h44
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Liçãozinha

Na banheira - aquela de bebê ainda, com metade das perninhas pra fora: cruza os pés e diz que é a cauda da Ariel. Pensando. Daí começa.

 

- Mamãe, você não gosta da Xuxinha?

 

- Não. E muito menos da Xuxona.

 

- Mas por que não gosta da Xuxona?

 

- Porque ela é chata. E só quer vender coisas pras crianças, pra ficar rica.

 

- Ah... E por que não gosta da Xuxinha?

 

- Porque a Xuxinha é a boneca da Xuxona. É uma das coisas que ela vende.

 

- A Xuxinha é boneca????

 

Ela faz uma pausa pra reflexão. Aproveito e saio, antes que me peça uma Xuxinha.

 



Escrito por Tina Lopes às 09h57
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O hype das meninas



Escrito por Tina Lopes às 10h50
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Gerações

Estava agorinha contando pra Nina que quando brincava de pega na praça ao lado de casa, quando era criança, e encontrava alguém escondido, gritava: "batatinha frita 1, 2,3". E quando queria sair no meio da brincadeira - geralmente porque estava escurecendo e o vô dela era brabo - simplesmente gritava pros colegas: "ringue, ringue, bate sol, não quero mais".

 

Daí me dei conta. As crianças de hoje não têm craca. Sabe, craca? Aquela sujeira no pescoço ou nos pés que só a bucha dura tira. Então.

 

Update

E agora há pouco.

"Nina, vá escovar os dentes" (vamos sair mais cedo).

"EU FAÇO O QUE EU QUISER", diz ela, batendo os pezinhos.

"Ah, é. ENTÃO O QUE VOCÊ QUER É APANHAR É?"

"Não..." e vai escovar os dentes.

Limites. Ah, se a gente não dá.

(Pedagogos diriam que eu deveria sentar à altura dela, conversar "não querida, não faz porque mamãe blablabla". Faço disso também. Mas a abordagem Godzila é totalmente necessária às vezes.)



Escrito por Tina Lopes às 09h13
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Da série: reportagens desnecessárias

A "indicação" dele é demais. Demais.



Escrito por Tina Lopes às 13h58
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Li agorinha

Minc no Ministério do Meio Ambiente. Não adianta. Minc pra mim sempre vai ser Ministério da Cultura. A leitura fica doida.

By the way: o então secretário de meio ambiente do RJ estava em Paris quando foi consultado pra ministro. O que estava fazendo em Paris? Ninguém contou.



Escrito por Tina Lopes às 10h13
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Não aguento piada pronta

Do site da Assembléia:

 

 

"Deputado Blublublu* pede a castração de todos os pedófilos e tarados que abusam sexualmente de crianças e de adolescentes.

O deputado Blublublu ocupou a tribuna da Assembléia Legislativa, nesta segunda-feira (12) para defender que o Congresso Nacional altere, urgentemente, o Código Penal, para permitir a castração de todos os pedófilos e tarados que abusam sexualmente de crianças e de adolescentes. Para Blublublu, além de castrar, ele prega que deveria ser colocado sal e pimenta bem forte no lugar dos testículos, como meio de se reduzir o elevado número de adultos que praticam tão condenável crime."

 

 

Acho certíssimo usar a lei de Talião pra crimes sexuais. Capem mesmo. Aliás, a lei de Talião - olho por olho, dente por dente - também prevê que o ladrão deve ter sua mão cortada. Se roubou duas vezes, que fique sem mãos. O problema é que o deputado autor do tal projeto já foi preso por corrupção. Então teria que perder as mãos também. O processo ainda corre na Justiça, mas a lei de Talião é justa porque é urgente, tipo Law & Order.

 

 

Pensando bem, se a lei de Talião valer mesmo, vamos todos de foice pra Assembléia. Pra não dar muito trabalho mandamos todos os deputados - e boa parte de seus assessores - erguerem as mãos, todos juntos. E passa a foice de uma vez só.

 

 

 

* É sério. Quer dizer. Acontece aqui no PR, a Alagoas do Sul (copyright by Ivan). Eu não dou nome do excelentíssimo porque sabe como é. Cheio de aspone catando motivo pra processo.

 



Escrito por Tina Lopes às 21h26
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Em 1980

Em 1980 eu tinha quase dez anos e uma preocupação. Queria que minha prima, dez anos mais velha, desistisse do sonho de se tornar freira. Pra mim, ser freira era – e continua sendo – um dos piores destinos que alguém pode ter. Enfim. A prima Ana tinha ido morar num convento em São Paulo e era noviça. Eu já não rezava, ou pelo menos não tinha convicção nenhuma, mas torcia pra que ela não ficasse por lá a vida toda. Ela era fissurada no Frank Sinatra e me deixou seus discos – vinil, claro – para ouvir quando sentisse saudade. Eu ouvia todo dia. Sabia cantar Strangers in the Night ou Night and Day de cor e salteado, claro que na minha adaptação de inglês. Na minha vitrolinha verde. Certo dia a Ana (a prima) voltou em viagem de visita, num final de semana, e minha mãe disse que eu estava “furando os discos”. A Ana arregalou os olhos, levou o maior susto. Demorou 10 segundos pra se ligar na metáfora. Nesse espaço de tempo ela deve ter me matado mil vezes. Mas ela estava no convento quando o Frank Sinatra fez um show no Maracanã, e eu assisti inteiro, pela Globo, chorando o tempo todo. E cantando errado.

Tudo isso pra dizer que eu adoro The Old Blue Eyes. Ele morreu há dez anos.

 

 

(Naquele ano também veio o Papa, que era a cara do Frank. A Ana saiu do convento e hoje é uma senhora e nos encontramos pelo menos uma vez a cada década. Mora em SP e é feliz com sua filha e marido. Dá aulas de alfabetização em comunidades carentes.)



Escrito por Tina Lopes às 16h50
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Uma chatice e uma tosquice

Chato é ter as amigas mais queridas no MSN, engatar o melhor papo do mundo e ter de interromper bruscamente porque o telefone tocou, o chefe chamou etc. Ressalto aqui que eu consigo, sim, chupar cana e assobiar, e fazer trabalhos burocráticos enquanto bato papo. Mas tem horas que não dá, e o papo fica pra depois, com aquele último recado: querida, só um minuto e o minuto vira dias. Chato. Desculpem-me, meninas.

 

Tosquice das boas é o jingle de uma empresa estofadora de sofás aqui de Curitiba. A Reformadora Wilson. Cheguei a cuspir feijão ontem, quando ouvi. Pense no hit "I Will Survive". Agora cante o refrão assim: "A Wilson vai, a Wilson vai". Hahahahaha.

 



Escrito por Tina Lopes às 10h44
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Marina morena Marina você faça tudo mas faça o favor

 

E finalmente a Marina Silva saiu do governo. Não sei como agüentou. Emprestando sua imagem internacional a um governo cuja principal vergonha é justamente a política ambiental. É, pode falar em corrupção*, violência etc. Mas se eu voltasse mil anos atrás e fosse obrigada a responder qual a área eu tinha certeza que melhoraria num governo Lula, seria a política ambiental. Bandeira de partido. Pega bem. Tá certo que o partido se desintegrou, mas veja o que (não) foi feito na área. Interessante que ela saia logo após a absolvição bizarra do tal Bida, condenado pela morte da freira Dorothy. Mas Marina saiu por causa da falta de prestígio e de verba, explica o Noblat. Então já devia ter ido há tempos.

 

Quem lembra da principal cena da campanha do Lula em 2002? O candidato rodeado pelos principais quadros do partido. Falava-se assim, então. Quadros. Olha como ficou antigo. Eram o Zé Dirceu, Genoíno, Mercadante, Palocci, Marta, Oded Grajew, Frei Beto, Benedita. Os que não saíram antes, foram saídos. Acho até que a Marina não apareceu na foto, não. E Lula se livrou de todos, queimando-os lentamente ou fritando, mantendo sua moral nas pesquisas de opinião. Incrível, eu acho incrível mesmo. Recebo aqueles e-mails horrendos, preconceituosos, sobre seu suposto semi-analfabetismo, suas bebedeiras e tudo. E tem gente que não se liga que o cara tem A inteligência política. Quem diria que hoje estaria docemente constrangido com o clamor para um terceiro mandato. Lembra quando ninguém mais aguentava o FHC?

 

Acontece que o Lula acertou justamente onde ninguém imaginava que fosse acertar. Na economia. O povão tá comprando, alguém vai negar? Tá construindo casa, tá recebendo dinheiro pra comer. É nóis na fita. E além disso, o Real vai bem, obrigado. Isso eu jamais esperei de um governo Lula - não vamos falar em governo do PT, né.

 

À parte tudo isso, eu realmente não esperava que a Soja vencesse a Selva.

 

 

 

*Esperar que um governo acabe com a corrupção neste país não é ingenuidade nem nada, é burrice mesmo.

** Cúmulo do desprestígio: perder espaço pro Mangaba Mangabeira.



Escrito por Tina Lopes às 17h43
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Fio duma égua

E o Ronaldinho bola-na-traveca que vai ser papai de novo, gente? Convenieeeente, né. Vamos marcar a data? Eu aposto que vai nascer de onze meses. Tipo filhote de égua.

 

(experimentando novo tamanho de letra)



Escrito por Tina Lopes às 10h18
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Onde eu padeço

Ok, já que sou mãe, tenho aquele compromisso inadiável nesta sexta-feira: sair mais cedo do trampo (ah, problema) e assistir à apresentação do Dia das Mães na escola da Nina. Aliás, ela estava preocupada ontem porque errou alguma coisa no ensaio. “Mamãe, eu não sei fazer direito o segredo do dia das mães”, lamentou. E eu vou lá daqui a pouco, me esbugalhar de chorar, porque eu choro mesmo em qualquer canto; claro que esqueci a câmera e depois vou me amaldiçoar por isso. Mas o duro, mesmo, é aguardar a apresentação, que sempre atrasa, e ficar ouvindo o papo das outras mães. Teve uma outro dia – e olha que ela parece gente boa – contando que sua filha conversou “horas” em inglês com um visitante estrangeiro. Tsá, filha. Sabe o que a Nina aprendeu até hoje com as aulas de meia hora de inglês na escola? “bluuuuuuu é azul, piiiiink é rosa, bóóóóóól é bola” e não mais que isso.

 

PIDEITE (copyright by Fal): a apresentação foi só uma cantoria desarranjada de uma música meio sem sentido. Mas foi lindo. A Nina realmente precisava de mais ensaio. Mas quem liga? E no caminho pra casa ela foi dura: "POR QUE VOCÊ NÃO CHOROU?".



Escrito por Tina Lopes às 16h39
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Sem noção

Inês Castro conta, na Bandnews, que a “noiva” de Ronaldo, o ronalducho, o perdoou pela traição com três travestis (olha o trava-língua) e deve voltar às boas, oficialmente, com anel no dedo e tudo, depois que a poeira do escândalo baixar.

E eu quase mudando de estação, pois “e o kiko?” pra eles, quando a repórter, articulista ou sei lá compara o perdão da noiva – que nem nome tem! é só “noiva-do-ronaldo” – com o perdão dado a Bill Clinton por Hillary, a Sartre por Simone de Beauvoir (héin?) e por Sharon Stone sabe-se lá pra quem. Todas traídas e mansas. Abre pra enquete sobre perdão e traição na rua.

Suspiro. Hillary, Simone e ronalduchinha, todas farinhas do mesmo saco.

É pouca pauta ou tempo demais?



Escrito por Tina Lopes às 15h12
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Dóziê à parte

Não posso deixar de registrar. A farsa versus a História. A indigência versus a inteligência. Se Agripino fosse, eu me recolheria, severinamente, à minha insignificância. Não sou Dilmista, mas olha só, a mulher matou a pau.

 

 

Peguei o vídeo daqui, claro, onde destaquei minha parte pavorida, como diria a Nina, aos 1'30" - "qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira".

*****

E ainda da série "Notícias de Ontem que Eu não Vi porque Não Suporto o William Homer": a imagem que todo mundo queria. Agora, chega?



Escrito por Tina Lopes às 11h05
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Horas dizem nada

Eu até ganhei um desses negócios que tocam MP3, que não é Ipod mas dá pra ouvir música. Não uso nunca, porque nunca gostei desse esquema de fazer uma trilha sonora própria. Tipo propaganda de celular. Todo mundo andando e ouvindo, cada um, seu estilo. E tem outra. Quando eu baixo música, fica tudo muito misturado, Johnny Cash e Bowie com Ella Fitzgerald e Amy Winehouse (o Limewire, único programa que sei usar, não presta para nacionais). Tento umas novidades de vez em quando, mas não gosto de nada. Gosto é de CD do artista, mesmo.

Enfim. Não era disso que eu estava tratando. É que hoje almocei no vegê, o que me engordou um quilo pelo menos (muita alface e muito carboidrato). E estava cheio. O pessoal novo, todos de foninho de ouvido. E eu não, portanto tive de ouvir as conversas, já que ouvido não se fecha. E como eu gostaria que fechasse. É tudo tão chato. Foi-se o tempo de observar as pessoas, ouvir pedaços de histórias, inventar enredos para os estranhos. Todo mundo é tão igual, reclamando de conta de celular, da escola dos filhos, da falta de justiça no caso Isabela (help) etc.

Bem, olha o meu telhado de vidro. Minhas grandes emoções são perder o vôo, botar o trabalho em dia, acompanhar uma amiga ao shopping, contratar encanador. É tudo tão chato, chato, boring boring boring. Tá na hora de aumentar a dose do ‘soma’. Ando azeda. Quem ainda me agüenta?

 

PS – Clientes de vegetarianos estão mudando: os velhos bichos-grilos por jovens esquisitinhos de cabelos falsamente sujos e cara entediada.

 

PS 2 - E daí abro o e-mail e tem uma oferta imperdível pro Dia das Mães. Aliás, 3: purificador de água, forno elétrico e panela elétrica. Com exclamação. Gente. Século XXI.



Escrito por Tina Lopes às 14h49
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Nosso comercial, por favor.

Hoje eu perdi um avião. Nada mais a comentar.

Escrito por Tina Lopes às 16h29
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U-hu! De virada é mais gostoso!

Deu no blog do Noblat. E eu torço, não me pergunte o porquê.

Hillary na frente de Obama

À véspera das primárias democrata de Indiana e Carolina do Norte nos Estados Unidos, a pré-candidata à Casa Branca Hillary Clinton aparece com 51% das intenções de votos entre os eleitores de seu partido, contra 44% de seu rival Barack Obama. É a primeira vez que ela lidera a pesquisa em três meses.

Há menos de 15 dias Obama vencia por mais de 10 pontos de vantagem a disputa contra Hillary pela indicação democrata para concorrer na eleição presidencial deste ano.



Escrito por Tina Lopes às 14h33
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Domingueira

Ontem à noite, assistindo - pela milésima vez - a Pocahontas. Nina me explica, com a mãozinha esticada, dedos juntos, meio de lado.

- Olha mãe, vou te explicar. Tem os que são do beeeeeem.

- Ahã.

- E tem os que são do maaaaaaau.

- Sim.

- E tem os complicados.

 

Mais tarde contei pro marido e ele: - Tem aluno meu de Ética que ainda não sabe disso.



Escrito por Tina Lopes às 12h10
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A vida como ela é

Família reunida no carro - marido e cunhado na frente, sogra, eu e filha atrás (na cadeirinha) - depois de um lauto almoço vegetariano: dos poucos restaurantes que abriram no feriado. O pai pára o carro perto da padaria, que também abriu (quando eu tinha padaria também só fechava no Ano Novo e olhe lá), pra comprar um negócio que ajuda a fazer fogo de churrasqueira e será usado desta vez na lareira. A senhorita filha de 3 anos fica chutando o banco onde está o tio. Eu mando parar e levo um baita tapa na cara. Respiro fundo e penso que é dessa raiva que me tomou conta que são alimentadas as grandes tragédias.

- Peça desculpa. AGORA.

- Desculpa (com muita má vontade).

Resultado: é feriado, faz frio, a lareira está sendo acesa e a filha está de castigo no quarto. Prometi que passaria a tarde inteira, mas daqui a pouco a tiro de lá. Só não vai ter desenho nem filme de sereias do Cartoon. Ah, isso não. E agora ouço a mocinha cantarolando. Juro que o rosto ainda dói.



Escrito por Tina Lopes às 14h55
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Mantra sindical

É dia DO TRABALHADOR, não do TRABALHO. Dia do trabalho é todo dia. DIA DO TRABALHADOR! TRABALHADOR!

(Eu que vivia dizendo "dia do trabalho" nas reuniões de pauta pra jornalzinho de sindicato era atacada constantemente por ter sido cooptada pelo Capital e mudar o foco do feriado. Ah, passado condena)



Escrito por Tina Lopes às 12h20
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