Hoje estou a fim de escapar da rotina. Vamos ao cinema, então. Já contei no saudoso Pergunte ao Pixel de uma menina com quem trabalhei, e que dizia amar cinema, mas que odiava – com repugnância – Woody Allen. Por quê?, perguntei, escandalizada. Ela disse achar chato. Chato? Mas o que você viu dele que achou chato?, questionei, pensando na fase bergniana. Já viu Match Point? Não. Manhatan? Não. Poderosa Afrodite? Não. Celebridades, Todos dizem eu te amo, Crimes e Pecados, A Era do Rádio? Não, não, não e não. O que ela tinha visto, afinal? Só Hannah e suas Irmãs, na Globo, dublado.
Agora me dei conta que ele deve ser o diretor ao qual sou mais fiel. Já fui fiel ao Almodóvar, mas é mais fácil porque não é tão prolífico. E cansei dele depois daquele filme da toureira, que o cara não pára de chorar. Do enfermeiro retardado/tarado. Ah, é. Fale com Ela. Mas voltando ao bom e velho Woody. Fui à Wikipedia e pude verificar que, dos 39 filmes que já dirigiu e/ou participou, tive o prazer de assistir a 32.
Ai, ai. Esse post vai ser daqueles que tem que cortar em pedaços senão não cabe no Uol. Mas vamos lá.
Scoop – 2006
O repórter que morre e insiste em publicar o furo. Woody como um picareta, fazendo truques de cartas. Scarlet ótima, americana assediada pelo charme europeu. Imperdível.
Match Point - 2005
Drama que remete ao Crimes e Pecados, só que com mais cinismo e menos humanidade. Ótimo.
Melinda and Melinda - 2004
Já esqueci, o que é mau sinal.
Igual a tudo na vida - 2003
Não gostei. Tem aquele guri de American Pie. Péssima essa fase com o estúdio do Spielberg.
Dirigindo no escuro - 2002
O diretor cego tentando filmar com uma equipe de chineses (é isso?). Uma das melhores piadas da carreira: “o filme é um sucesso na Europa”. Comédia acima da média.
O mote é incrível. Ladrões disfarçam túnel sendo escavado ao lado do banco com uma loja de bolinhos. O roubo é um fracasso, mas os bolinhos dão dinheiro.
Celebridades – 1998
Adoro filmes em P&B. Keneth Branagh no lugar de Woody está assombroso. Ele optou por se transformar em Woody Allen e conseguiu. Aliás, por onde anda este Henry V? Tantas cenas memoráveis, um filme para se rever sempre.
A supermodel pro escritor: "não se aproxime, vou te passar gripe"; e ele: "se quiser pode me passar até câncer".
Desconstruindo Harry – 1997
Perfeito. O autor que só consegue se relacionar com seus personagens. Como não chorar no final? E outra das piadas clássicas – ele reclama pra prostituta que ela não entende sua depressão, causada pela consciência de sua pequenez frente à infinitude do universo, os buracos negros. “Buraco negro, querido, eu trabalho com isso”.
Todos dizem eu te amo - 1996
Woody botou todo mundo pra cantar, e ficou ótimo. Filme de sessão da tarde, com orgulho. E tem o filho da família liberal que se tornou republicano: mas era só um aneurisma.
"Sabe porque gostei de você?", pergunta Linda Ash a Lenny (Woody) - "Porque tenho atração por fracassados (loosers)".
Poderosa Afrodite - 1995
A voz da Mira Sorvino. O amor do Woody pelo filho adotivo. A vida sem preconceitos. O coro grego. Um dos meus preferidos.
Tiros na Broadway - 1994
Aqui, se o roteiro não fosse bom, o elenco salvava. Mas não foi o caso: o roteiro é muito bom. John Cusack, o autor teatral que é obrigado a aguentar uma piranha sem talento em sua peça – pois ela é namorada do gangster que o patrocina. Acho que foi a última participação da Dianne Wiest num filme de Allen, interpretando o que no Brasil seria uma Fernanda Montenegro decadente. Jennifer Tilly, que depois disso só fez a Noiva do Chucky, está ótima de vigarista. E Chazz Palminteri, que também sumiu, está, uhn – perdi o adjetivo. Pode perfeito de novo?
Um misterioso assassinato em Manhattan - 1993
Allen, Diane Keaton, comédia, suspense, referências a clássicos. Não precisa mais.
Maridos e esposas – 1992
Desse eu não lembro direito.
Crimes e pecados – 1989
Acho que o melhor de todos. Todo mundo já viu Anjelica Houston como a amante rejeitada; Woody disputando Mia Farrow com Alan Alda e o velhinho otimista do vídeo – que se mata. O diálogo final, de Woody com o amante assassino (esqueci o ator), torna esse disparado mesmo meu filme preferido.
O final de Manhattan, com o olhar triste da Mariel Heningway, é marcante. Saem desse filme vários elementos que vão se repetir na filmografia. Até a montanha-russa.
Annie Hall/Noivo neurótico, noiva nervosa - 1977
Azar o seu se não viu.
Testa de ferro por acaso - 1976
Ai, é divertido, masnão tenho mais recordação nenhuma.
A última noite de Boris Grushenko - 1975
Idem. Eu tinha o livro com o conto que deu origem ao roteiro.
O dorminhoco - 1973
Woody congelado até o futuro; o Orgasmômetro; o nariz do presidente. Nonsense total. E um final como sempre inesquecível.
Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo mas tinha medo de perguntar - 1972
Em Portugal chamaram de “O ABC do Amor” - românticos, tolinhos. Gosto principalmente da história da ovelha com o Gene Wilder.
PERGUNTA - Todo ano há um novo filme de Woody Allen. Como se explica você ser tão produtivo? ALLEN - É o que faço e tenho bastante tempo livre. Tenho metade do ano sem nada para fazer. Quando termino um filme, fico parado em meu apartamento, caminho pelas ruas, e então tenho uma idéia e penso: "Meu Deus, isso vai ser um outro "Cidadão Kane'!". Começo a escrever e, em pouco tempo, estou com um roteiro. É claro que, quando o resultado está ali, não é nenhum "Kane".
(...)
PERGUNTA - E sua saúde é boa. ALLEN - Nunca estive no hospital; ainda sou ativo. Tenho bons genes. Minha mãe chegou aos 98 anos; meu pai, aos 100. Mas envelhecer é uma coisa terrível. Minha vista já não é o que era, perdi um pouco da audição, a comida não tem o mesmo gosto. Não ganhei sabedoria nenhuma. Não há nada de bom em envelhecer. Você simplesmente deteriora e morre.
(...)
PERGUNTA - Por que você não deixa seus atores lerem o roteiro inteiro? ALLEN - Constatei que, se eles não sabem o que está acontecendo, não representam o resultado de suas ações. Eles não atuam sabendo para onde vai o roteiro -atuam de maneira muito espontânea, porque não têm certeza do que está acontecendo. E, de fato, os personagens não devem saber o que está acontecendo.
(...)
PERGUNTA - Você fica nervoso durante as filmagens? ALLEN - Nunca fico nervoso quando estou escrevendo ou dirigindo, mas o pânico se instala no momento da montagem, quando você vê tudo o que fez. É um banho de água fria.
PERGUNTA - Você não costuma ficar satisfeito com os resultados? ALLEN - Não. Quando está filmando, você sempre pensa que está fazendo história, e, quando termina, você diz: "Meu Deus, o que eu fiz?". Sempre pensei que tenho um pouco de talento e muita sorte.
PERGUNTA - De quais filmes seus você se orgulha mais? ALLEN - Tenho três dos 39 filmes que fiz: "Match Point", "A Rosa Púrpura do Cairo" e "Maridos e Esposas". Todos os outros, eu gostaria de refazer.
PERGUNTA - Alguma vez você já ficou tão decepcionado com um filme que não queria que estreasse? ALLEN - Fiquei muito decepcionado com "Manhattan". Prometi ao estúdio que, se não o lançasse, eu faria o filme seguinte de graça. Mas o estúdio se recusou, e o filme teve bom desempenho. Com "Setembro", foi o mesmo. Disse ao estúdio que queria refilmar tudo.
Tem uma pessoa que manda e-mails pro meu marido, e sem querer eu vejo porque o Outlook tem aquela coisa de abrir automaticamente, e esse cara escreve com reticências. O tempo todo. Parece que ele tem mal de Parkinson e não consegue digitar um ponto só. Isso é tão, mas tão irritante, que quase me dá taquicardia. Pra mim, na novilíngua da internet, assim como o itálico dá um tom de ironia e as maiúsculas representam gritos, as reticências me parecem bocejos. Coisa de gente preguiçosa. "Ai... eu queria escrever mais... mas fico por aqui..." Entende? Nunca finaliza o pensamento. Espera que você entenda as supostas subjetividades do texto. Que não existem. A vontade é de responder só com exclamações.
RETICÊNCIA, MEU CARO, NÃO É ESTILO. É CUTUCÃO VIRTUAL DE COTOVELO!!!!!
Das milhares de coisas que eu não gostava quando estava grávida - um mal necessário para se chegar ao determinado fim, que na verdade é um grande começo e parará - era que alguém tentasse pegar na barriga. Não que conseguissem. Acho que a cara que eu fazia era tão feia, mas tão medonha, que nem mesmo os familiares mais abraçadores e beijadores arriscavam. Só no último dia, a caminho da maternidade, baixei a guarda e quando percebi, me tascaram um beijo na barriga. E eu pensei que fosse poder contar vantagem de que em nove meses ninguém me encostou. Droga. Menos um recorde.
* Eu também pensei que ia passar esse período do bizarro world sem vomitar, o que eu não fazia há exatos 28 anos. Só que comi um salgadinho estragado e não deu.
Eu nunca perdi muito tempo com o trash. Mas a coluna do Paulo Coelho no G1 é uma coisa. Perca uns 10 segundos pra ler essa pérola:
"Do inferno - Postado por Paulo Coelho em 24 de Abril de 2008 às 00:35
Assim que morreu, Juan encontrou-se num belíssimo lugar, rodeado pelo conforto e beleza que sonhava. Um sujeito vestido de branco aproximou-se: “você tem direito ao que quiser: qualquer alimento, prazer, diversão”, disse. Encantado, Juan fez tudo que sonhou fazer durante a vida. Depois de muitos anos de prazeres, procurou o sujeito de branco: “já experimentei o que tinha vontade”, disse. “Preciso agora de um trabalho, para me sentir útil”. “Sinto muito”, disse o sujeito de branco. “Mas esta é a única coisa que não posso conseguir. Aqui não há trabalho”. “Que terrível”, disse Juan. “Passar a eternidade morrendo de tédio. Preferia mil vezes estar no inferno”. O homem de branco aproximou-se, e disse em voz baixa: “e onde o senhor pensa que está?”
E como naqueles sites de literatura, eu dou um novo final a essa linda fábula.
(...) O homem de branco aproximou-se, e disse em voz baixa: "e onde o senhor pensa que está?"
"Então, Juan que era muito esperto vislumbrou uma forma de continuar aproveitando aquele bem-bom e ainda se divertir. Quando ficava entediado, escrevia livros e colunas de auto-ajuda."
Finalmente, um pincel de base. Assim a segundona começa interessante. Escrito por Tina Lopes às 09h51
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Sabedoria jurídica
Diz um advogado amigo que o divórcio litigioso é a forma que o cônjuge raivoso encontra pra manter o relacionamento. Aquela coisa da linha tênue entre amor e ódio, tão clichê. Escrito por Tina Lopes às 14h00
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Onde está o padre?
Veja onde a anta foi parar. Aqui. Genial. Escrito por Tina Lopes às 15h57
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O mundo vai acabar
Leio que um advogado famoso, rico e bem-sucedido de São Paulo foi preso. Um dia depois do terremoto. Juízo final, será? Escrito por Tina Lopes às 15h03
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Visão do inferno
Não dá vontade de passar correndo e tascar um croque em cada um?
Pode me contar uma piada hoje, e recontar amanhã. Eu não vou mais lembrar do começo, do meio, ou do fim. E vou rir tudo de novo.
O mesmo com fofocas. Ontem à noite uma notícia me lembrou uma amiga das antigas. Pessoa que sempre considerei equilibrada, centrada etc. Daí um dia o nosso amigo comum, R., contou baixarias tremendas, histórias cabeludas de sexo e traição, todas encabeçadas por essa amiga. Eu fiquei escandalizada com os bas-fonds, mas olha só. Esqueci. Sei que envolvia um hotel, o marido no exterior... e não lembro mais nada. Ou seja. Até sem querer, eu sou um túmulo.
Cozinhei, lavei, sequei, cuidei das crianças, dei banho, briguei, briguei, briguei. Os homens tomaram cerveja. Ou seja. Não fosse a brabeza, podia dizer que finalmente virei a Vó Tiloca. Escrito por Tina Lopes às 10h47
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Cúmulo
Acabo de ouvir o teaser do Jornal Nacional de que vai apresentar durante a edição de hoje partes da entrevista do casal-suposto-assassinos da menina e confrontar com informações dos laudos técnicos etc. Ou seja. Vai julgar. Será que o William Bonner vai aparecer de toga?
Hora de ir pra esteira, lá atrás. Ironicamente, assistir CSI aguardando episódio que, espero, seja inédito, de Lost.
Estou com o cunhado em casa, hospedado temporariamente, porque está se separando e saiu de casa. Daí vieram os sobrinhos, dois finais de semana seguidos também, porque têm que vêr o pai, né. A sogra está aqui também (Pensão Tina Lopes, treis real o prato feito). Então. O papo está meio repetitivo e dramático, só se fala naquilo: divórcio, separação, trauma das crianças, partilha etc.etc.
Daí que hoje de manhã sonhei que minha mãe quis se separar do meu pai. E o largou, mandou embora, deixou na rua da amargura. E eu fiquei brigando com ela, preocupada, como é que ele ia se virar, que ele tinha seus problemas mas a gente tinha que cuidar dele. Chorei até! Acordei e levei uns bons 30 segundos para me dar conta de que meu pai morreu há uns dez anos. E que EU exigia a separação do casal, também uns dez anos antes. Mas precisava ver como sofri no sonho.
Preciso com urgência de dicas de gatófilos internautas sobre como me relacionar com a Mimi. É o seguinte. Eu dou ração, encho o pratinho. Ela come e deixa metade no prato. A ração fica lá. Daí de madrugada ela começa a miar porque quer comer. Mas não basta a ração que ainda está no prato – e que é suficiente pra barriguinha dela. Ela mia, mia, com um objetivo: quer que eu encha o prato até fazer uma montanhinha de comida. Daí ela come. E recomeça. Deixa metade no prato, depois vai miar pra eu encher de novo.
Isso acontece diversas vezes, mas muitas mesmo. De madrugada. E olha que está fazendo frio. Tem solução ou a gata é uma fresca (ou está se vingando?)?
* O post anterior foi deletado em função da possibilidade de gerar ranger de dentes e processos judiciais. Quiçá, criminais.
Do nada, a Nina conta que um padre foi à escolinha. Eu não gostei da história, afinal, pensei que fosse uma escola laica - mas ela adorou a roupa dele. Daí incentivei-a que contasse mais.
- Mãe, o padre ensinou a gente a dizer amém - e junta as mãozinhas pra mostrar.
Não bastasse fazer tricô, ser a menina do Tang e escrever muito bem, dona Cinthyaainda faz ótimos memes. Roubei esse.
Tosquice: passar a manhã com a roupa que dormi, até fazer o almoço. E depois dormir com a mesma roupa.
Mania: regime (dieta)
Pecadilho: comer as jujubas da Nina depois que ela dorme (quando não estou de regime). E gostar do Zé Dirceu.
Melhor cheiro do mundo: de praia (maresia, suor e hormônios)
Se dinheiro não fosse problema, eu faria: moraria na beira da praia
Casos da infância: saí do parque, onde brincava de bola, entrei correndo em casa, morrendo de sede, tinha um copo de água gelada em cima da pia, tomei quase tudo num golão só – e era pinga.
Habilidade como dona de casa: cozinhar
"Desabilidade" como dona de casa: passar roupas. Passei 3 peças em intervalos de 3 anos, e queimei todas.
Pra faxinar: som no máximo, moleton velho e solidão
Frase: pode duas? Ambas encapetadas. “O Inferno são os outros” (não é do Locke: é do Sartre) e “O demônio está nos detalhes”.
Passeio para a alma: Um bom livro, um bom vinho, uma boa luminária, uma boa poltrona, mesa pra apoiar os pés e silêncio
Passeio para o corpo: praia com sol
Irritando Tina Lopes: quem pega um copo, enche de água no filtro, bebe a metade e deixa o resto do lado do filtro. (tudo a ver com o item “frase”)
Frase ou expressão que fala muito: ai, caceta
Palavrão de escolha: todos, menos “peido”. Não falo nunca. Acho horrível. Tenho nojo. Aliás, daqui a pouco vou apagar essa palavra. Éca.
Desce do salto e sobe o morro quando: me ofendem
Perfume que usa no momento: Nina, de Nina Ricci
Elogio favorito: “Você parece mais nova!”
Talento oculto: Desenho
Não importa que seja moda, eu nunca usaria nem no meu enterro: ombreiras
Coração peludo: isso significa não ter dó? Então não tenho dó de gente preguiçosa.
Vocês andam antipáticos. Escrito por Tina Lopes às 16h13
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Estréia 06/06
Quando eu era criança brincava de "As Panteras". Eu era a morena de cabelo curto e magrela, então quem tem quase 40 sabe da sem-gracice de que estou falando. Era mais emocionante ser o Bosley (?).
Enfim, eu cresci e até pouco tempo atrás eu brincava que era a Miranda.
Pensando bem, acho que a Miranda que virou Cristina. Afinal. Casou, comprou casa, cria o filho e lava a louça.
(mas eu não uso vestido de manga bufante manémorrta!)
Empregada, carro e seus encargos (IPVA, financiamento, gasolina); apresentação social (roupas e acessórios, manicure), recursos profissionais (banda larga, assinatura da Folha).
E a minha irmã, que teve de fazer um "passeio" de ambulância (pneumonia, lembram?) e ficou sabendo pelo motorista e enfermeiro que quase todos os médicos vomitam quando vão com o paciente no banco de trás? Porque né, muita curva, a parte de trás é totalmente fechada... e eles adoram ferrar os médicos. Escrito por Tina Lopes às 15h19
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Empregos dos sonhos: escrever horóscopos e Coluna da Leitora da Nova. Escrito por Tina Lopes às 15h01
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Matando dois coelhos num post só
Olha só. Eu tava fazendo um post falando mal do Paulo Coelho. Sim, é um clichê, mas é que hoje eu cliquei sem querer num link do G1, pra coluna dele, e li umas sandices tão, mas tão idiotas, que não poderia deixar de comentar*. Eu lembrava que há dez mil anos atrás (hahaha, redundância há e atrás juntos, né?), mais exatamente em 1989, eu li a primeira matéria, numa Nova**, sobre Coelho e seu livro que era então lançamento, Brida. Influenciada por amigas do curso de Psicologia (eu devia ter socializado mais com o curso de Letras) fiz a besteira de escolher este livro no lugar de um outro, do Milan Kundera, pra dar de presente pra minha mãe – que tem bom gosto e detestou, quer dizer, disse que era “interessante”. Eu seguia o post, refletindo que apesar de ter medo de gente convicta, cheia de certezas e verdades, era bom de vez em quando ver algumas delas confirmadas. Como por exemplo a convicção que eu tenho desde que li aquela Nova, de que o senhor Coelho é um tremendo picareta cara-de-pau que deve se divertir muito com seu papo de mago; e que seus seguidores são retardados***.
Daí fui salvar esse texto todo e caiu a conexão. Caiu o sistema do UOL. Foi caindo tudo. O universo conspira! Portanto esse post é só pra contrariar.
*Se tiver paciência de clicar, veja que coisa mais sem nexo diz o mendigo-sábio; e a afirmação de que 'as palavras mais importantes são curtas' – que tal cu?
**De uma amiga: lá vou comprar Nova se não tinha dinheiro nem pra um bégs?
***Sei que é uma convicção besta, já que todo mundo – menos os seguidores – pensa assim.
" [Fernanda] Oi, Leio seu blog há algum tempo, mas resolvi comentar só hoje pq fiquei meio espantada com a atitude do veterinário em ter castrado a sua gata , mesmo sabendo que ela estava prenha, e ainda ter feito piadinha; esse deve gostar muito de animais... se ela estava gorda e ele é da área, dava pra saber isso antes de abrir a barriga dela; quem convive minimamente com animais sabe quando uma fêmea está prenha; é diferente de gordura. E se vc fica com a gata só por causa da sua filha, mas vc não gosta dela(da gata), é melhor dar pra alguém que goste, já que ao que parece sua filha ainda não tem idade pra cuidar de um animal, e vc não tem paciência ou tempo pra cuidar da gata. Desculpa falar isso, sei que não é da minha conta, mas é o que fica parecendo pelo o que vc escreve."
Eita, só agora eu li esse comentário lá embaixo, no post sobre a castração-aborto da Mimi. Tenho que responder aqui porque a Fernanda não deixou e-mail. Não que eu me sinta obrigada a me justificar, mas claro que eu ainda tenho um restinho de culpa católica, então vamos lá.
Oi, Fernanda, tudo bem? Olha só. Este veterinário AMA tanto os animais que trata, que é um dos principais colaboradores de uma Ong aqui de Curitiba que castra animais de estimação de famílias carentes, de graça. Ele foi em frente com a castração da Mimi porque ela tem menos de seis meses e a prenhez não iria a termo: os gatinhos já estavam condenados, já que ela é muito miudinha. Um entope a saída e os outros ficam, dá falta de oxigenação e todos morrem, inclusive a gatinha-mãe adolescente.
Sobre a piadinha: ora, tem quem goste de humor negro. E o veterinário é super bem humorado. Pra quem não é do meio, choca um pouco. Eu que tenho um humor duvidoso também não liguei. Acho que vc é mais sensível.
Aliás: ela estava barrigudinha, sim, mas como é uma gata em desenvolvimento, eu achei que podia ser normal. Já que ela come pra valer. Há anos eu não convivia com gatos.
E finalmente, eu não fico com ela só por causa da minha filha. Eu gosto da Mimi! Tanto é que passo a noite toda levantando pra abrir janela, tirar ela das grades, desligar o alarme que ela dispara... sem grandes dramas. Ela dorme na minha barriga enquanto eu assisto ao American Idol. Mas eu sou mesmo uma pessoa grosseira e chamo a gatinha de "safada, sem-vergonha, vadiazinha" e por aí afora. De brincadeirinha. Se você lê mesmo meu blog já deve ter percebido a finesse e o aplomb, como diria a Fal.
Já sobre dar a Mimi: eu não DOU bichos. Nunca fiz isso, nunca o farei. Sou da religião do Pequeno Príncipe: você é responsável por aquele que cativa. Convenhamos que castrar é um cativeiro e tanto. Se não precisasse mesmo, não o faria porque acho uma tremenda agressão.
E a minha filha não tem idade pra cuidar de animais. Mas dorme com a Mimi (desde que as pulgas foram expulsas) e dá comidinha pra ela toda hora. Elas se amam. Por isso, não se preocupe. Este é um blog animal-friendly.
Primeiro a Marisa. Picada pela aranha marrom aqui de casa (mandei dedetizar o quintal, tsá?), foi pela manhã ao posto de saúde mais próximo. Disseram pra esperar os sintomas, porque podia ser um "pêlo encravado". Ok. Foi à tarde em outro posto (porque eu insisti) e já deram injeção e antibióticos, além da ordem de voltar ao posto da vila e ficar em observação, na maca, caso a febre aumentasse.
Depois, minha irmã. Tossiu feito uma tuberculosa uma semana inteira. Nesse período, foi algumas vezes ao plantão do plano de saúde e a cada visita um médico diferente dava um diagnóstico. Virose e alergia, os principais. Depois de todo o tempo tomando remédios para essas duas hipóteses, sem que melhorasse, enfim um quinto doutor concluiu que era pneumonia. No raio-x, a mancha branca de catarro na parte de baixo do pulmão.
Só que ela é funcionária pública, precisava de perícia médica para não ter os cinco dias de repouso descontados. Foi ao setor de perícia, o médico do Estado olhou o raio-x e concluiu: não tem nada aqui, você está ótima, pode voltar a trabalhar. E ela soltando os bofes na cara dele, de tosse. Mas uma santa secretária cometeu um erro na papelada e ela teve de voltar para nova perícia no dia seguinte - ontem. Daí a conclusão do outro médico que a atendeu: Isso é pneumonia sim! Dez dias de atestado pra se tratar.
Marisa percebe: "a Nina está quietinha, o que ela está fazendo?" Me dou conta do silêncio e vou pro quarto ver o que leva a tanta concentração. Chamo, nada de atender. Chamo de novo, a vozinha vem lá do escritório:
Fim de noite, precisando de um banho urgente, faço com que Nina fique junto no banheiro, escovando os dentes. Vamos conversar, proponho.
Ok. Nina conta que sua amiguinha continua chamando uma das tias da escolinha de "tia gorda". Eu já tinha alertado do quanto isso é errado e tals. Repeti toda a ladainha. Que as pessoas não são gordas porque comem demais, que pessoas gordas também são bonitas e o que interessa é ser legal blabla. Daí disse que ela PRECISA perguntar o nome da tia, para só chamá-la pelo nome. Detalhe: Nina está numa fase de ignorar, muito mal-educadamente, os adultos. Não quer saber seus nomes, nem cumprimentar, nada. Só quer saber dos amiguinhos.
Daí que ela bota a cabeça pra dentro do box do chuveiro:
- Mamãe, eu sei de tudo isso. Você é muito faladeira!
Tava agorinha mesmo falando com uma amiga no MSN, ela me chamou de senhora de brincadeira e eu: ai, não me chama de senhora, blabla. Deprime, né? Principalmente se vc está chegando (ok, faltam 2 anos e meio) aos 40, está temporariamente banguela e tem que fazer bico pra falar, não pode pintar os cabelos porque estão caindo demais com as tintas da Americanas etc. etc.
Daí lembrei de uma historinha engraçada. Eu trabalhava no Teatro Guaíra, com minha amiga M., aliás fazíamos estágio mas ainda estávamos na fase de "queremos trabalhar" - depois passou e a gente só curtiu os espetáculos de graça, mesmo. Então. Tínhamos um super projeto que seria nossa monografia na faculdade, de comunicação interna e... zzzz. Mas estávamos na sala de espera do diretor à época, o nosso bom e velho Navalhada de Roque Santeiro, o ator Oswaldo Loureiro (morreu, aliás?)*. Passamos umas duas horas aguardando o chefe.
Quando ele chegou, entrou correndo feito um louco, bufando, dando ordens, causando. Um minuto depois abriu a porta da sala e nos chamou. Mas aí surgiu do nada a atriz Lala Schneider, que já era velhinha - faleceu há um ano - e deu o texto:
- Ah, as meninas vão ser boazinhas e me deixar passar na frente. EU SOU VELHA, SOU FEIA, E VIM DE FUSCA!!!!
E claro que foi atendida antes. Vou adaptar um dia desses. "Sou velha, sou feia e vim de KA!".
Iracema voou para a América Leva roupa de lã e anda lépida Vê um filme de quando em vez Não domina o idioma inglês Lava chão numa casa de chá Tem saído ao luar com um mímico Ambiciona estudar canto lírico Não dá mole pra polícia Se puder, vai ficando por lá Tem saudade do Ceará Mas não muita Uns dias, afoita Me liga a cobrar É Iracema da América
(Iracema-America: adoro isso. E tem saudade do ceará - mas não muita. Amo. Devo ser a única fã do Chico que poderia dizer "gosto mais do que você tem feito recentemente.)
1) Todo governo tem obrigação de apresentar dados sobre seus gastos. Dar transparência a eles (quem dera).
2) Então, se o governo tem os dados, pode organizá-los como quiser.
3) Um dossiê para chantagem política, a meu ver, portanto, somente pode ser considerado crime se HOUVER a chantagem política. Ou seja, chantagem é crime. Planilha de dados não (lembro que ACM vivia com uma pastinha debaixo do sovaco dizendo que eram "DÓZIÊ" contra o inimigo X ou Y. O Collor tinha uma pasta amarela no debate contra o Lula, aquele. A ameaça era de ter fotos de Lula com a amante. Alguém viu?).
4) Quem lança pré-candidata à presidência 3 anos antes da eleição? Quem quer queimá-la antes desse prazo, oras.
5) Uma lembrança dos tempos de cobertura (ui) política: quando havia uma reunião do então PFL, os desgraçados passavam a tarde juntos e não abriam a porta. Saíam da reunião com olho roxo (metafórico) mas com o mesmo discurso. Já as reuniões do PT eram um entra-e-sai. 90% dos casos, pra ligar pra imprensa e contar quem estava comendo o rabo de quem. Ou pra atender ligações da imprensa. E 10% pra ir ao banheiro, que sanduíche de mortadela nem sempre cai bem.
6) Eu não sou Lulista, Dilmista nem petista. Só pessimista*.
*Mentira, sou martista, confesso. Sapatinho chanel na favela, djá!
Voltei a cortar carboidratos. Sem pães e doces por um mês, depois volto aos pães devagar por mais um mês e evito os doces o máximo que puder. Pra desintoxicar, além de emagrecer, claro. Pra satisfazer meu lado masoquista também.
Sempre lembrando de Tim Maia: "cortei gorduras, açúcar e álcool, e em duas semanas perdi 14 dias".
Deixei a Nina na escolinha - hoje tinha passeio no bosque, ai que nervoso - e liguei o som do carro numa rádio que não pude identificar. A porcaria do som "esquece" de ligar o painel de vez em quando. Daí ouvi uma voz conhecida, cavernosa, falando sobre? Sobre o caso Isabella, claro. Com detalhes, que aliás nem prestei muita atenção. Um clima de velório, com algumas intervenções de outras pessoas no estúdio. Depois de cinco minutos confirmei a identidade da voz: o Marcelo Rezende, ex-repórter da Globo e agora sei lá aonde. Com aquele tom de voz daquele programa que refazia com atores cenas de assassinato. Enfim. Rezende parecia um delegado falando. Com conhecimento de causa, acredito, porque afinal é repórter policial. Sabe por exemplo que é estranho os advogados dos pais pedirem habeas corpus em vez de retirada do pedido de prisão etc. etc. Detalhes técnicos. Depois de 15 minutos de trânsito e programa - o som não estava mudando de estação, tenho que trocar essa porcaria - finalmente o cara se despede e eu reconheço qual rádio estou ouvindo.
Era o Pânico na Jovem Pan. Sério. Literalmente. A que ponto chegamos.
Este simplesmente é O filme sobre jornalismo. O UOL fez uma compilação dos principais, mas deixou de lado, imperdoavelmente, "Herói por Acidente" e "Mera Coincidência", coincidentemente ambos estrelados por Dustin Hoffman*, meu ator pavorido (preferido e favorito, como diria a Nina).
Mas olha só a descrição de "La Dolce Vita" do redator do Uol: Marcello Mastroianni está revirando no túmulo com a idéia de que seu Marcello enfrenta uma "crise de consciência" durante suas atividades jornalísticas. Ora, faça-me o favor.
Quando morei em Ribeirão Preto estranhei o quanto as pessoas se comunicavam. Os vizinhos queriam saber que cheiro bom era aquele do nosso almoço; quanto pagávamos pra diarista; se nosso banheiro tinha vazamento etc.; e ainda nos convidavam a seus apartamentos para ver sem compromisso as roupas e produtos Natura que vendiam. Me acostumei com essa civilidade.
Mas voltei pra Curitiba e aqui, mal e mal nos damos bom-dia, boa-tarde.
Então. Tenho certeza que essa antipatia típica acabaria se, deus-me-livre, ocorresse alguma desgraça na minha família, com certeza (toc-toc-toc, bate na madeira). Concluí isso ao ler as matérias domingueiras sobre o caso/novela da menina Isabella. Na falta de dados precisos sobre a investigação, as manchetes do dia são a opinião de vizinhos, ex-colegas de faculdade, de trabalho, sobre os pais e madrasta da menina. E quanta gente tem opinião!
Por exemplo, contam que o pai e a madrasta viviam brigando. Uma vez, eles teriam saído mais cedo de um churrasco por causa de ciúmes. Daí me vem à lembrança quantas vezes dei desculpas furadas pra sair mais cedo de churrascos chatíssimos. Será que os "colegas" teriam achado que eu estava arranjando encrenca?
Sem dúvida, eu daria muito pano pra manga, isto é, muito material pros jornais, por conta do que meus vizinhos podem observar. Minha descendência é portuguesa, alemã, índia e portuguesa, mas meu comportamento está mais pra judaico*-italiano. Grito muito - mesmo porque a casa é grande - e faço drama pra tudo.
(*sabe a diferença entre a mãe católica e a mãe judia? a mãe católica diz pro filho: se vc não comer eu te mato; a mãe judia diz: se vc não comer, eu me mato)
Se o feijão queima, me jogo. E quando brigo de verdade? Bato portas. Choro. Com a Nina já tentei ter um comportamento de super nanny, de me abaixar pra conversar polida e racionalmente com a criança. Até consigo, às vezes. Mas não dá pra ser assim sempre e pelo menos uma vez por semana ameaço – e cumpro – umas palmadas.
Pelo que percebi da matéria sobre os "amigos" das famílias envolvidas na tragédia da Isabella, não havia motivos para comentários – eles nem são escandalosos como eu, senão daria mais umas duas páginas de matérias, com análises de psicoterapeutas e o escambau. O pai pegava a menina no portão. Ok. Meu sobrinho também é entregue, aos domingos, ao portão da casa do pai. Queriam o quê?
Bem, não estou me justificando. Comigo e minha família vai tudo bem, obrigada. Mas vou torcer pra que nunca mesmo - nem se eu receber o prêmio Nobel - alguém venha entrevistar meus vizinhos. Sequer o motorista do carro dos sonhos.
Com que então parece que é verdade aquela de não poder misturar antibióticos com álcool. Ou será que o vinho argentino era paraguaio? Escrito por Tina Lopes às 15h23
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Hoje Ninotchka Fedorovna ganhou sua primeira cama de gente grande. Já passou pelo berço e pela caminha-canoa (aquela que fica direto no chão). Ganhou também um edredon de princesa. Oh, minha princesa*, ditadora, está ficando grandinha.
E pra equilibrar esse post tão mamacita, mudei o layout de novo pra "sexy hot". Veja que o UOL nos enche de opções. (ironia mode on)
*Amigos que quiserem fotos, peçam pelo tina.lopes@bol.com.br, porque eu vou parar de expor a gatinha aqui.
Mandei o carro pra revisão - a primeira, mas tive de pagar porque deixei passar um mês do prazo de 6 meses - e achei que seria resolvido o problema de gasto de combustível. Sabe, eu tenho um Ford Ka, meu primeiro, o já famoso e traumatizado Juca Bala. E sempre me disseram que o Ka é economicíssimo. Só que o tanque tem 42 litros, e eu passei todo esse tempo medindo meticulosamente (ok, nem tanto) o gasto quando enchia o tanque. Pois não dá nem 400 km de tanque cheio. Pedi pro meu digníssimo, que na verdade foi quem levou o carro à concessionária, pagou e tudo (porque eu não sei o caminho até lá, é do outro lado da cidade! - mentira, é numa avenidona que eu tenho medo de pegar), então, pedi que ele informasse desse problema ao mecânico. E a resposta foi a seguinte.
"O carro anda menos de 10 quilômetros por dia. Se andasse mais, seria econômico. Porque o carro tem que esquentar o motor, e quem anda menos de 10 km não permite que ele chegue ao gasto necessário pra queimar menos combustível."
Mais ou menos isso. Ou seja. Se eu sair mais com o carro, ele proporcionalmente vai gastar menos. Mas como vou andar mais, no final vou gastar igual, ou mais, dinheiro.
O que me leva à conclusão: não existe carro econômico.
Acabo de assistir* a dois telejornais: da Band e Jornal Nacional. Não sei como descrever o tamanho da vergonha que sinto do Ser Humano, por meio da vergonha que me desperta essa categoria de jornalista da qual miseravelmente faço parte, pelo menos em tese.
O caso é aquele da menina que morreu depois de cair, ou não, de seis andares. A Isabella.
O show é tão previsível que parece roteiro de um filme ruim, ultrapassado: delegado cheio de opiniões, imprensa afoita, comoção popular forjada à base de enredo de novela.
Claro que eu tenho curiosidade. Claro que eu acho estranhas as circunstâncias do caso. Mas e daí? Eu, como cidadã, não preciso ver a professora do pré mandando as crianças de 5 anos desenharem a coleguinha que morreu. Não preciso ver uma bruaca mãe ou vó de aluno do mesmo colégio dizendo que a menina era linda. Isso não é notícia. Não há notícia além de: morreu uma criança, o crime vai ser investigado, aguarde-se a conclusão do caso.
Acompanhei alguns casos de políticos envolvidos em crimes (eleitorais, geralmente), cujos advogados rezavam a cartilha das condições para as prisões preventivas - tanto que sei de cor quais são: 1) que o suspeito tenha possa afetar a investigação (por exemplo, ameaçando testemunhas); 2) que o suspeito possa fugir (para isso exige-se residência reconhecida e emprego) e 3) antecedentes criminais. O pai e a madrasta não atendem a estas condições, pelo que já entendi. Se eu acho que eles são inocentes? Isso simplesmente não tem importância. Minha opinião não conta. Justiça é lei, lei está no papel. Cumpra-se. Também não preciso de um repórter dando vexame na porta da cadeia: "olha, agora eles vêm lá - ah, não, é só um policial. Ah, agora são eles! Ah, não, permanece a expectativa, eles já vão aparecer". E dá-lhe helicóptero pra mostrar a futura careca do pai suspeito.
As comparações com o caso da Escola Base são inevitáveis e já foram feitas em outros blogs. Mas pelo visto o eterno rodízio de focas nas redações já enterrou a culpa pelo linchamento feito à época.
O que me deixa ainda pior com essa história é a preguiça dos coleguinhas da imprensa. Gastam metade do tempo de TV bancando carpideiras. E se não houvesse esse crime, qual seria a pauta do dia? E enquanto isso... a dengue, passou?
* Mentira, primeiro vi o American Idol depois e só agora vim pra cá postar minha indignação.
** Lembrei de um caso. Aqui no PR, ano retrasado, morreu um bebê de poucos dias com um tipo de cicatriz ou infecção no ânus. Os médicos acusaram os pais de tê-lo molestado. A polícia buscou provas na casa, encontraram uma cueca de couro e acusaram o casal de práticas S&M. Foram presos. Ameaçados de linchamento e tudo. Um tempo depois descobriram que a criança tinha uma doença rara que causava aquelas marcas. Um jornal daqui, a Gazeta do Povo, se portou com dignidade: omitiu o nome dos pais até que se provasse a culpa e as circunstâncias da morte. Porque afinal de contas, ninguém além dos investigadores, da família, da Justiça, precisava saber. Quem dera a PRUDÊNCIA recomendada nos manuais de redação fosse cumprida.
Então. Fiz o tal implante, foi menos ruim do que imaginei. Claro que tinha que ter um lance tipo 1º de abril: o outro dentista escalado pro procedimento - porque tinha que ser mais complicado que o normal! - era simplesmente um colega de adolescência. Frequentávamos o mesmo clube e tudo. Isso até o ano em que ele passou no vestibular, depois perdemos contato. Há exatos 20 anos. Que coisa. Que vergonha.
Então. Só me preocupei com o seguinte diálogo entre os dois dentistas: "- Aqui tem 11"; - "Aqui tem 3" (acho que eram milímetros de espaço entre os dentes). "- 11 menos 3, 9", concluiu um deles. E eu, debaixo de panos de cirurgia, boca aberta e totalmente anestesiada, pensando: "-Oito! Oito!"
Depois disso, muito antibiótico e analgésico, fiquei zuretada. Tomei sopa fria de feijão e ganhei um potão de Haagen-Dasz. Hoje fui trabalhar mas acabei voltando pra casa pra dormir a tarde toda. Agora é pegar a Nina na escolinha e torcer pra tirarem a cantora country do American Idol. Ah, vidinha.
*A Marisa levou uma picada de aranha marrom mesmo. Mas deu pra salvar a bunda: tomou injeção e antibióticos a tempo, coitada.
Por favor, não me façam nenhuma pegadinha de 1º de Abril. Caio em todas. Sorte que hoje meu PC do trabalho foi pra assistência. E hoje é o dia "daquela" cirurgia de dente. Portanto não me sacaneiem. Escrito por Tina Lopes às 11h01
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Cacoete
A locutora da rádio de notícias capricha no carioquês. Booouua charrrrrrddjji xão disssoito hoouras em Curixiba...
E os "esses" viram "x". Como aquele cantor do Jota Quest. Brrr. Mais arrepio que o da aranha marrom.
Marisa, minha empregada (sim, eu já disse, assumo, tenho empregada, não chamo de funcionária e pago bem, vai encarar?) chegou em casa agora cedo mancando e com cara febril. Perguntei o que foi e ela disse que foi picada por uma aranha. Ontem à tarde, na bunda, dentro do ônibus.
Googleei e mostrei pra ela fotos com a evolução da picada da aranha marrom. Pra quem não sabe, esse bicho é comum em Curitiba e a picada pode matar, se não for tratada. Vou te contar, a sequência de fotos é um horror. E a dela corresponde à da primeira fase, de 12-24 horas. Mandei correr pro posto de saúde*, que eles têm - pelo menos a propaganda da prefeitura diz que tem - soro.
Brrrrrrr, que arrepio.
*Aliás, ela já tinha ido ao posto perto de casa mas não tinha vaga pra atendimento. Foi tentar em outro bairro.